Cancer House
Sobre o evento
Ter as coisas no sítio certo conta. Para lá de uma questão de fazer tudo certinho, ser uma pessoa arrumadinha ou de uma obsessão matemática. Pode ser uma manifestação de muito trabalho, de se passar muito tempo junto, de um entendimento que se concretiza para lá da química, uma série de coisas. The Moth , o álbum de estreia dos Cancer House, faz lembrar Spiderland dos Slint. Para lá da estética, do som, do género. Os instrumentos estão arrumados, tudo acontece no momento certo. Existe rigor. Contudo, o que se manifesta com superioridade é a exaltação de que o que se está a ouvir não poderia existir de outra forma. Qualquer peça fora do sítio causaria um sentimento de deslocação, de desarrumado. Quarteto formado por Keeyan Haack, Lily Sharatt, Alex Furrh e Whitney Johnson (talvez a mais conhecida dos quatro, com álbuns na Drag City e na International Anthem), vêm de Chicago e abraçam o fascínio do indie actual pelos sons dos 1990s como o slowcore e o pós-rock. Se a precisão faz lembrar os Slint, os locais por onde as vozes viajam recordam Bardo Pond (a voz de Lily, sobretudo, parece estar sempre noutro lado, um além subterrâneo), mas o tom, àquilo que os Cancer House soam, não faz lembrar algo em concreto. É um som particular, adormecido como o dos Codeine, sem o fascínio da dolência das drogas, que aspira a continuar nesse estado, perpetuá-lo, torná-lo ainda maior. Procura o que viaja com o adormecimento e depois dele. Uma característica especial. Advém de tocarem muito tempo juntos, de progredirem como uma unidade. Vai para lá da soma das partes, o som dos Cancer House em The Moth existe como automedicação.